Segunda criação do Inominável, a comitragédia Vazio é o que não falta, Miranda, que estreou em 2010, apresenta quatro atores-atrizes e um diretor teatral na tentativa, sem sucesso, de encenar a obra Esperando Godot do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. Nesta dramaturgia, dois mendigos estão à espera de Godot, que parece ter em mãos a salvação mais imediata dos pobres homens. Nesta obra marcante do pós-guerra, Beckett faz um retrato da condição humana marcado pela angústia de estar vivo, apresentando um vazio existencial que ainda hoje parece ecoar no homem contemporâneo.

Em Miranda, porém, tal angústia existencial encontrou seu contraponto mais sincero na angústia criacional do elenco e do diretor. A encenação, dessa forma, é uma tentativa de tirar proveito do vazio, buscando sinalizar sua existência enquanto parte constituinte de todo e qualquer ser. Assim, por meio de uma sucessão de jogos com a linguagem e com a sua própria falência, os criadores se tornam peças de um jogo sempre instável e refém do encontro com o espaço no qual se apresentam e com os espectadores presentes.

 

Adassa Martins, Caroline Helena, Flávia Naves e Natássia Vello
Fotografias de Thaís Grechi

 

Em abril de 2013, o espetáculo se destacou no Festival de Curitiba. Nas palavras da crítica Luciana Romagnolli, “Vazio é o que não falta, Miranda revelou grande potência por absorver os humores do momento e as orientações feitas em cena pelo diretor. O vazio, o insignificante e o falho da vida se transformam em linguagem nessa que é uma das propostas mais ousadas vistas neste ano”. O espetáculo estreou em 2010, ainda como Esperando Godot, como montagem curricular de Diogo Liberano na UFRJ. Em seguida, virou Miranda e desde então já realizou inúmeras temporadas no Rio de Janeiro, além de ter percorrido inúmeras cidades do Brasil participando de festivais e mostras de teatro.

Desde 2014, Miranda se apresenta sempre com novas atrizes e atores convidados, intensificando o risco proposto pela peça e mantendo a criação numa incessante busca por si mesma. Clique a seguir para ler o artigo [Des]esperando godot – estudo de um processo de criação via negativa, escrito pelo diretor Diogo Liberano a partir do processo de criação do espetáculo e publicado na revista Questão de Crítica em abril de 2013.

 

Equipe de Criação

Da obra Esperando Godot de Samuel Beckett
Direção e Dramaturgia: Diogo Liberano
Diretora Assistente: Thaís Barros
Elenco: a cada apresentação um novo elenco. Já passaram por Miranda: Adassa Martins, Andrêas Gatto, Carolline Helena, Dominique Arantes, Fabíola Sens, Flávia Naves, Gunnar Borges, Júlia Marini, Laura Nielsen, Márcio Machado, Mayara Yamada e Natássia Vello
Cenário: Rafael Medeiros
Figurino e Caracterização: Adassa Martins e Natássia Vello
Iluminação: Diogo Liberano e Thaís Barros
Direção Musical: Philippe Baptiste
Produção: Clarissa Menezes
Co-Realização: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Realização: Teatro Inominável

 

Blog | Programa da temporada de estreia


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