Sexta criação do Inominável, a performance O Narrador parte diretamente do ensaio O Narrador – Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov de Walter Benjamin. Neste ensaio, o pensador alemão apresenta um olhar sobre o empobrecimento do gesto de contar histórias e, por conta disso, reconhece também um empobrecimento da noção de experiência. É a partir deste ensaio que Diogo Liberano escreve uma dramaturgia composta por vivências próprias relacionadas à morte de parentes e amigos. Porém, mais que compartilhar um olhar sobre a morte, o que se busca em O Narrador é justamente partir da morte para encontrar um olhar renovador sobre a experiência da vida.

Com duração entre 45 e 50 minutos, O Narrador se configura como um encontro entre performer e público ouvinte, entrelaçados pelo gesto de contar histórias. A dramaturgia de Liberano nasce de uma mescla de narrativas distintas (cenas dramáticas, poemas, trocas de e-mails, lembranças, cartas, contos) e se afeta e se reescreve com o encontro presencial que se dá entre performer, o espaço no qual se apresenta e o público para o qual se destina. O performer se apresenta apenas munido do texto impresso em folhas soltas, uma pelúcia e algo para beber, além de uma composição musical original (Angel de Rodrigo Marçal) que permanece tocando durante toda a apresentação.

 

Bizonho e Diogo Liberano
Fotografias de Anna Clara Carvalho

 

A performance – como esse gesto de narrar uma história – faz com que o performer retire da experiência de sua própria vida o sumo da narração, oferecendo-a ao público presente e convidando-o a um jogo aberto, frente ao qual ele possa produzir seus próprios pensamentos e associações. Nas palavras do crítico Rafael Teixeira: "Verdadeiramente entregue, por vezes chegando às lágrimas, mas dominando a leitura com enorme traquejo, Liberano transcende a particularidade de sua própria história ao tratar, sem ranço de aridez intelectual, um tema universal – a morte. Assim, suscita reflexões e estabelece uma conexão genuína, tocante e poderosa com o espectador".

O projeto nasceu e foi criado especialmente para a abertura da terceira edição do evento Janela de Dramaturgia, em Belo Horizonte/MG, em abril de 2014. Em 2015, chegou ao grande público ao ser apresentado no Festival de Curitiba e, em seguida, cumpriu inúmeras temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de viajar por festivais e mostras em todo o Brasil. Pela dramaturgia da performance, a companhia recebeu indicações aos principais prêmios do teatro carioca em 2015: Prêmio Shell e Prêmio Cesgranrio. Em 2018, a performance foi apresentada em espanhol em Buenos Aires (Argentina) integrando a programação da mostra Volumen – Escena editada.

 

Equipe de Criação

Dramaturgia e Performance: Diogo Liberano
Composição Musical: “Angel” de Rodrigo Marçal
Colaborações Artísticas: Adassa Martins, Carolline Helena, Flávia Naves, João Pedro Madureira e Natássia Vello
Registro Fotográfico: Anna Clara Carvalho (RJ) e Betânia Dutra (SP)
Registro Audiovisual: Philippe Baptiste
Produção: Clarissa Menezes
Realização: Teatro Inominável

 

Ensaio "O Narrador..." de Walter Benjamin | Programa da temporada de estreia


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Desenvolvimento: Diogo Liberano


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