Sétima criação do Teatro Inominável, poderosa vida não orgânica que escapa, com dramaturgia de Diogo Liberano e direção de Thaís Barros, buscou na linguagem das histórias em quadrinho o seu estopim criativo. Criada pelo renomado quadrinista americano Will Eisner, a graphic novel O Edifício (1987) inspirou a criação do Inominável ao apresentar a vida melancólica e solitária de pessoas que frequentavam um mesmo edifício numa grande cidade.

A partir dessa referência, poderosa vida não orgânica que escapa apresenta um pequeno e velho edifício de três andares no centro de uma grande cidade. É “ele” o protagonista da história apresentada, “aquele” que vê, sente e ouve tudo o que acontece em seus interiores e também em seu exterior. É a partir dessa “sensibilidade” do edifício que, num dia, ele vem ao chão, decidindo desabar e levando consigo seus três moradores.

 

André Locatelli, Diogo Liberano e Livs Ataíde
Fotografias de Thaís Grechi

 

Em sala de ensaio, a diretora investigou modos de transpor a linguagem dos quadrinhos para a cena teatral. Assim, encontrou-se uma encenação em que o espaço vazio do palco vai sendo, progressivamente, preenchido pelo jogo de deslocamentos e trajetórias dos três atores (André Locatelli, Diogo Liberano e Livs Ataíde), pela composição de luzes e sombras e, sobretudo, pela atmosfera musical composta originalmente por Rodrigo Marçal. poderosa realizou sua temporada de estreia de 04 de agosto a 24 de setembro de 2017 no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) no Rio de Janeiro, tendo estreado na XVI Mostra de Teatro da UFRJ como montagem de formatura de Thaís Barros em Direção Teatral.

Nas palavras do crítico Renato Mello: “Esse jogo de sombra e luz é um dos pontos cruciais com que Thaís Barros consegue transpor ao palco um sentimento de opressão por personagens “aprisionados” num edifício que vai sendo corroído a partir de suas próprias entranhas, como que sugando não apenas as fundações estruturais, mas também todos os resquícios de qualquer florescer vital de personagens desencaixados do mundo social. Toda essa ambientação da direção de Barros é obtida com parquíssimos recursos cenográficos, em que pela própria maneira como o palco se apropria do vazio já diz muito sobre a construção do espetáculo, passando a diretora a graduar e compassar sensações que transbordam emocionalmente do texto de Diogo Liberano, com um desenho de luz minimalista e um suporte de metal que projetado por uma lanterna cria diversas possibilidades cênicas. A condução da direção de atores de Barros nos leva a sentir por meio dos seus personagens, interpretados por André Locatelli, Liberano e Livs Ataíde, todo um grito de desespero pairado no ar, em que o seus dramas e desejos acabam justamente por dar-lhes contornos patéticos, demasiadamente humanizados, e por isso mesmo é possível enxerga-lhes poesia”.

 

Equipe de Criação

Dramaturgia: Diogo Liberano
Direção: Thaís Barros
Atuação: André Locatelli, Diogo Liberano e Livs Ataíde
Direção Musical: Rodrigo Marçal
Direção de Arte: Marcela Cantaluppi
Direção de Movimento: Andrêas Gatto, Gunnar Borges e Márcio Machado
Colaboração de Movimento: Natássia Vello
Iluminação: Diogo Liberano e Thaís Barros
Assistência de Direção: Ana Paula Gomes
Assistência de Iluminação: Gabriela Villela e Luiz Buarque
Registro Audiovisual e Fotográfico: Thaís Grechi
Produção: Clarissa Menezes
Realização: Teatro Inominável e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 

Programa da temporada de estreia

 

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Desenvolvimento: Diogo Liberano


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