Quarta criação do Inominável, a tragédia Sinfonia Sonho apresenta a história de Kevin (Márcio Machado), uma criança de nove anos que de súbito se torna alvo de um desejo: o de se tornar música, por conta da peça teatral que começa a ensaiar em sua nova escola. Com direção e dramaturgia de Diogo Liberano, o espetáculo foi criado como conclusão de seu curso de graduação em Direção Teatral na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sendo orientado pela performer e teórica da performance Eleonora Fabião.

A dramaturgia original partiu de referências como o romance Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver, o tratado filosófico O anti-Édipo de Gilles Deleuze e Félix Guattari e do massacre de crianças ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, em abril de 2011. Visando trazer à tona um olhar mais atento e responsável sobre a infância e, por extensão, também sobre o futuro, o que se apresenta em Sinfonia, mais do que o massacre da vida humana, é também o efeito de tais tragédias na vida de adultos e crianças sobreviventes. Dispostos em cadeiras, frente ao público, o elenco de sete atrizes-atores se soma ao diretor-dramaturgo, que lê as rubricas do texto enquanto a ação se desenrola, provocando um duelo entre rubricas e ações.

 

Adassa Martins, Andrêas Gatto, Dan Marins, Gunnar Borges, Laura Nielsen , Márcio Machado e Virgínia Maria
Fotografias de Thaís Grechi

 

Em 2012, Sinfonia recebeu uma indicação ao 2º Prêmio Questão de Crítica na categoria Direção e recebeu três premiações no Festival Estudantil de Teatro de Belo Horizonte/MG (FETO): paisagem sonora, corpo em cena e voz em cena. Desde então, percorreu inúmeros festivais e mostras teatrais em diversos estados brasileiros, tendo sua dramaturgia traduzida e publicada, em 2015, na revista Theater da Yale School of Drama (EUA). Nas palavras da performer e teórica da performance Eleonora Fabião:

“Sinfonia Sonho começa como projeto de formatura do Diogo Liberano no curso de Direção Teatral da UFRJ, projeto que tive o prazer de orientar baseada numa premissa que chamamos de ‘honestidade radical’. Sobre o processo de criação, digo que por vezes pensávamos na peça como uma escultura, que conversávamos sobre tipos de materialidade, sobre como potencializá-las. As palavras: massa material e imaterial, imagética e gramática, som e sentido. O jogo dos atores: objetivo e subjetivo, virtual e atual, unidade aberta. A política (macro, micro e celular): o dia-a-dia daquele grupo e o pensamento sobre teatro de grupo, a busca por modos de pertencimento ativo, crítico, criativo e o interesse numa discussão específica sobre a cidade onde se vive. Com o correr das semanas, formou-se um sistema de relações em movimento, sistema este estruturado num gráfico rítmico detalhado: o entrecruzamento das velocidades. Sempre interessaram os encontros, os desencontros, as vizinhanças, a repulsa, as misturas entre todos os tipos de corpos que formam a cena - sonoros, conceitos, cabelos, sete cadeiras, palavra, ar, braço do Márcio, abraço do Kevin, verde, chão, cão, aperto, amor, medo, ela e as costas dele, a presença do balão ausente, olho solto no espaço, um olho rolando na grama do jardim. Mas foi durante a estreia da peça na Escola de Comunicação da UFRJ, sentada junto com uma porção de gente na plateia, que enxerguei realmente do que se tratava a Sinfonia Sonho: era teatro. Teatro: este algo que torna visível a indissociabilidade entre os corpos, que transforma posições políticas e estéticas em atos estético-políticos. Uma peça de teatro: o que aconteceu quando um grupo de gente sonhou uma sinfonia junto”. 

 

Equipe de Criação

Direção e Dramaturgia: Diogo Liberano
Orientação de Direção: Eleonora Fabião
Assistência de Direção: Thaís Barros
Elenco: Adassa Martins (Célia), Andrêas Gatto (Corley), Bel Flaksman (Joana Bravo), Bernardo de Assis (Wellerson Amaral), Davi Palmeira (Franklin), Gunnar Borges (Tomas), Laura Nielsen (Moira), Márcio Machado (Kevin) e Virgínia Maria (Eva)
Direção de Movimento: Carolline Helena
Direção Musical: Philippe Baptiste
Preparação Vocal: Verônica Machado
Cenário: Leandro Ribeiro
Figurino e Visagismo: Isadhora Müller e Marina Dalgalarrondo
Iluminação: Davi Palmeira e Thaís Barros
Registro Fotográfico e Audiovisual: Thaís Grechi
Produção: Clarissa Menezes
Realização: Teatro Inominável e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 

Blog | Dramaturgia em inglês | Programa da temporada de estreia

 

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