Especulações sobre TOMA ALEGRIA

Esta nova criação surge a partir de um esgotamento do Teatro Inominável relativo aos modos de produção e exibição do fazer teatral em nossa cidade. Dado o crescente desmantelamento das políticas públicas e culturais, percebemos que o nosso trabalho estava cada vez mais impossibilitado de chegar a quem nos interessava: o público, as pessoas de nossa cidade.

Certo dia, caminhando pelo centro da cidade em direção ao interior de um teatro onde estávamos em cartaz com uma de nossas peças, nos flagramos perplexos com esse desvio já tornado natural: andamos, no dia a dia, entre pessoas nas ruas e, depois, entramos num edifício teatral, quase um esconderijo, para fazer o mesmo, para nos encontrarmos com as mesmas pessoas que já cruzávamos pelas ruas. Ali nos veio essa questão: por que fugir das pessoas nas ruas para reencontrá-las num teatro? Por que não fazer o nosso trabalho no espaço da cidade, entre as pessoas para as quais ele é destinado, sem instituição ou edifício a intermediar esse encontro?

Aí começou nossa criação. De junho a agosto de 2017, fizemos inúmeros encontros de criação em praças diversas da cidade do Rio de Janeiro. Neles, além de observarmos a cidade e os cariocas com renovado interesse e atenção, experimentamos ações e pequenos gestos que pudessem – junto ao "texto" já escrito na e da cidade – modificar um pouco alguma coisa.

 

 

Começamos com um pano rosa tingindo o ar, depois evoluímos para cortejos com cantorias, danças irrompendo no meio do dia e muita contemplação, muita pausa, muita calma. Após esses meses, diagnosticamos que nossas ações buscavam fazer com que surgisse na cidade algum breve momento de alegria. Começamos então a reconhecer que esse era o rumo e também o desafio que essa nova criação nos convidava a experimentar: como ultrapassar um tipo de poética fundada na denúncia das mazelas de nossa realidade social e política para, em seu lugar, investir a nossa potência com o intuito de efetivar a produção e a partilha de algum tipo positividade e bem estar? 

Eis a nossa busca com esta nova criação: realizar um gesto imperativo que é lembrar a nós mesmos e aos que embarcarem conosco nesse jogo que, mais que um fardo imutável, a tristeza, assim como a alegria, é uma produção social e contextual. O que queremos então produzir? Onde queremos aplicar nossa potência e com quais propósitos?

TOMA ALEGRIA é uma criação coletiva de Andrêas Gatto, Clarissa Menezes, Diogo Liberano, Flávia Naves, Gunnar Borges, Laura Nielsen, Márcio Machado, Natássia Vello e Thaís Barros

 

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